Dependência e Morte

Dependência e Morte
07/09/2020

"Independência ou morte" foi o grito dado por Dom Pedro I às margens do Rio Ipiranga em São Paulo. Foi um momento importante, pois a partir de então o Brasil não ficaria mais a mercê de Portugal e poderia buscar seus próprios interesses, para crescimento e prosperidade. Segundo o Dicionário, independência é a condição da coletividade que não se submete a outra autoridade e se governa por suas próprias leis. ¹

Estamos acostumados com este tema, pois já nascemos dependentes. Quando ainda éramos crianças, nossos pais nos davam todos os cuidados, como alimentação, higiene, pois não tínhamos condições de sobreviver sem esses auxílios. Crescemos, e a independência é o parâmetro da maturidade. Os anos passam... Começamos a viver por conta própria... até o momento de casarmos ou sairmos de casa e não estarmos mais debaixo da dependência, auxílio e autoridade dos nossos pais.

Na vida espiritual acontece algo semelhante: quando nascemos de novo somos totalmente dependentes de Deus. O tempo passa, vamos adquirindo conhecimento, maturidade e começamos a andar com as próprias pernas. Quando menos percebemos, estamos vivendo uma vida cristã independente, e isso é muito perigoso. Nosso “eu”, nosso velho homem quer assumir o controle novamente. Nesse momento devemos lembrar que morremos com Cristo e nossa morte para o mundo deve ser um brado de que somos totalmente dependentes de Deus.

Um belo exemplo dessa vida de independência é demonstrado principalmente quando tratamos do quesito financeiro. Temos uma facilidade muito grande de pensar que nosso sustento vem do pagamento que recebemos por nosso trabalho diário. As riquezas fazem com que confiemos em nós mesmos.  Comentando o Salmo 30 versos 6 e 7, a Bíblia de Estudo Diário Vivir diz o seguinte:

"A prosperidade tinha feito que Davi se sentisse invencível. Apesar de que sabia que suas riquezas e seu poder provinham de Deus, elas lhe subiram à cabeça, fazendo-o soberbo. A riqueza, o poder e a fama têm um efeito tóxico sobre a gente, faz-nos sentir muito confiança em si mesmos, muito seguros de si e independentes de Deus. Mas esta é uma segurança falsa que se faz em pedacinhos facilmente. Não se deixe apanhar pela segurança falsa da prosperidade. Dependa de Deus para sua segurança e não será estremecido quando as posses terrestres desaparecerem. “²

Esquecemo-nos que, se temos saúde, se temos força, se podemos respirar, tudo isso vem da graça e da misericórdia de Deus e é Ele que nos sustenta todos os dias. O pão nosso de cada dia vem somente d’Ele.  Sobre isso, James Shelton assevera:

A segunda metade constata que os discípulos são um povo necessitado, totalmente dependente da provisão graciosa de Deus. Uma vez mais, esta parte do Sermão da Montanha remonta à bem-aventurança inicial: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus” (Mt 5.3). O discípulo verdadeiramente humilde reconhece que está moral e espiritualmente arruinado, à parte do exemplo e recursos de Deus para o viver santo.
[...] O discípulo é visto como alguém que está na dependência total da misericórdia de Deus para a próxima refeição. ³

Por mais que o mundo viva uma vida independente de Deus, e lembre-se d’Ele somente em momentos de tristeza ou dificuldades, nosso Deus governa soberanamente e sustenta tudo e todos pela força do Seu poder. O mundo pode declarar a independência de Deus, mesmo sem saber que é dependente da misericórdia do Criador que concede gratuitamente o ar para todos respirarem o fôlego de vida. Sobre isso, Antônio Neves de Mesquita comenta:

"A história se encarregou de mostrar que assim era, que tanto os povos como os seus reinantes, todos estavam debaixo do poder de Javé.  Esta concepção da universalidade do governo divino sempre escapou da observação dos povos, julgando-se eles independentes e soberanos em si mesmos.  O certo é que soberano, só Deus.  Só ele governa e domina nós céus e na terra, e os povos são criações suas, e os domina como quer.”4

Muitos anseiam por liberdade, por independência, por viver suas próprias leis sem ter uma autoridade sobre si. Nós éramos assim, estávamos vivendo dessa forma. Mas fomos alcançados pela graça de Deus, pela fé morremos com Cristo na cruz e agora, com toda nossa alma podemos gritar: “Morte ao nosso “ego” e total dependência de Deus!”

Anderson Fábio da Silva
É presbítero, teólogo, professor, com formação em avançado em Teologia, bacharelando o curso hoje na Faculdade Refidim.

Bibliografia:

  1. https://www.dicio.com.br/independencia/
  2. Comentário do Salmo 30:6, 7 da Bíblia Diário Vivir
  3. Shelton, James. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Pag. 53
  4. Comentário de Jr 1:1-19 por Antônio Neves Mesquita

 

Demétrio Daniel dos Santos Ferreira
Obreiro da IEADJO, Locutor na Rádio 107,5 FM. Jornalista - MTB SC 6144 JP

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